Torre de caixas

Também conhecida como: Empilhar e derrubar, Construção com caixas

2 anos 3 anos Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações O eu, o outro e o nós Corpo, gestos e movimentos

Teo e Bia empilham caixas de papelão e blocos coloridos numa torre alta; Davi está ao lado com uma caixa nas mãos esperando a vez; Maira ri ao fundo com uma caixa caída.
Posição inicial. Ilustração; nenhuma criança real.

Resumo rápido

Faixa etária
2 anos; 3 anos
Participantes
2 a 8 crianças
Duração
20 a 40 minutos
Espaço
Área de piso firme com espaço para a torre cair sem atingir ninguém
Tipo
Construção
Você vai precisar
  • Caixas de papelão de vários tamanhos (sapato, leite, cereal, remédio), vazias, limpas e fechadas com fita
  • Blocos de madeira ou de EVA, potes plásticos com tampa, latas sem rebarba
  • Opcional: fita colorida para marcar no chão a área de construção

Empilhar caixas de papelão e blocos de todos os tamanhos até a torre cair, e começar de novo. Construção livre, com muito material e sem modelo a copiar.

Vídeo de demonstração (30 a 40 segundos, com adultos) em produção.

Como brincar

  1. Reúna muitas caixas e blocos, mais do que as crianças conseguem usar de uma vez. Abundância evita disputa.
  2. Marque no chão a área da construção e espalhe o material em volta, ao alcance.
  3. Convide: "vamos ver até onde a torre vai?" Deixe que escolham por onde começar. Não mostre o jeito certo.
  4. Quando a torre cair, comemore junto. A queda é parte da brincadeira, não erro.
  5. Observe o que inventam: torres, muros, caminhos, casas para os brinquedos. Nomeie o que vê sem dirigir.
  6. Avise cinco minutos antes do fim. Guardar as caixas, encaixando as pequenas nas grandes, também é brincar.

Bia: Caixa grande embaixo, pequena em cima. Mas se puser a pequena embaixo é mais engraçado quando cai.

Variações

  • Caminho de caixas: em vez de torre, uma fila de caixas para andar por cima (caixas firmes e baixas).
  • Casa de caixa: uma caixa grande de geladeira vira casinha para entrar, com janelas recortadas pelo adulto.
  • Torre com regra (3 anos): cada criança coloca uma peça na vez; quem derruba recomeça para todos.
  • Construção com objetos da natureza: pedras lisas, toquinhos, gravetos grossos, no pátio.
  • Para a turma de 3 anos: desenhar a torre depois de pronta, antes de derrubar.

Teo: E se a torre tivesse que ser mais alta que a minha cadeira? Eu seguro embaixo e vocês põem em cima.

Todo mundo brinca

Davi: Aqui todo mundo brinca. A brincadeira é que se adapta.

  • Criança cadeirante: a construção pode acontecer sobre uma mesa baixa ou um banco, na altura dela; caixas leves e grandes são fáceis de alcançar.
  • Baixa visão ou cegueira: caixas com cores contrastantes e texturas diferentes; a criança constrói pelo tato e um colega descreve a altura.
  • Surdez: combine um gesto para "vai cair!"; a vibração do chão quando a torre cai é parte da diversão.
  • Autismo: algumas crianças preferem empilhar sozinhas e em ordem; respeite e ofereça um espaço próprio dentro da área.
  • Dificuldade motora fina: caixas e blocos grandes exigem menos precisão; nada de peças pequenas.

Na BNCC

Campos de experiência predominantes: Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações O eu, o outro e o nós Corpo, gestos e movimentos

Objetivos de aprendizagem e desenvolvimento

Como ler o código: EI = Educação Infantil; 01, 02 ou 03 = grupo etário da BNCC; duas letras = campo de experiência; número final = ordem do objetivo.

  • EI02ET01

    Explorar e descrever semelhanças e diferenças entre as características e propriedades de diferentes materiais.

    Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações · BNCC: crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses)
  • EI02ET05

    Classificar objetos, considerando determinado atributo (tamanho, peso, cor, forma etc.).

    Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações · BNCC: crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses)
  • EI02EO03

    Compartilhar os objetos e os espaços com crianças da mesma faixa etária e adultos.

    O eu, o outro e o nós · BNCC: crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses)
  • EI02CG05

    Desenvolver progressivamente as habilidades manuais, adquirindo controle para desenhar, pintar, rasgar, folhear, entre outros.

    Corpo, gestos e movimentos · BNCC: crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses)

As faixas deste acervo seguem as turmas e as revistas da escola: Bebês, 2 anos e 3 anos. Na BNCC, bebês vão até 1 ano e 6 meses (EI01) e crianças bem pequenas de 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses (EI02); assim, a faixa Bebês do site abrange o fim do grupo EI02 e as faixas 2 anos e 3 anos pertencem ao mesmo grupo EI02. Os códigos de objetivos seguem sempre a BNCC.

Direitos de aprendizagem predominantes: Explorar, Brincar, Conviver, Participar.

O que a criança desenvolve

  • Motora (equilíbrio, coordenação olho-mão, força)
  • Cognitiva (tamanho, peso, equilíbrio, sequência)
  • Social (compartilhar material, construir junto)
  • Emocional (lidar com a queda e recomeçar)

Enunciados transcritos de memória a partir da BNCC (2017). Conferir cada código no documento oficial antes da banca.

Tecnologia desplugada

Conceitos de pensamento computacional que esta brincadeira exercita, sem nenhuma tela: DecomposiçãoReconhecimento de padrõesDepuração (achar e corrigir o erro)

Construir uma torre é decompor um problema grande em passos pequenos: escolher a base, depois o meio, depois o topo. As crianças descobrem padrões (grande embaixo, pequeno em cima; alternar caixa e bloco) e, quando a torre cai, procuram o que deu errado e mudam uma peça, que é depurar. Com os pequenos, a linguagem é "primeiro, depois, caiu, de novo".

O que é tecnologia desplugada e por que ela está neste acervo

Mediação do professor

Como propor

Ofereça material em abundância e fique perto, no chão. Resista a corrigir a base torta: a torre que cai ensina mais que a torre que o adulto segurou. Nomeie as ações das crianças e faça perguntas abertas ("e agora?").

Quando entrar e quando sair

Entre se a disputa por uma caixa virar empurrão (ofereça outra caixa igual e ajude a nomear o que cada um quer) ou se uma torre alta ameaçar cair sobre quem está sentado embaixo. Saia assim que a construção retomar.

O que observar

  • Estratégias: testa a estabilidade? Troca a ordem depois da queda? Copia o colega?
  • Noções de tamanho e equilíbrio: escolhe a maior para a base? Centraliza?
  • Cooperação: constroem juntos ou lado a lado? Negociam peças?
  • Reação à queda: ri, chora, desiste, recomeça?

O que registrar

Fotografe as construções (sem rostos) e anote frases das crianças sobre elas. Uma sequência de fotos ao longo do semestre mostra a evolução das estratégias.

Importante: cuidados

  • Caixas vazias e leves; latas só sem rebarba e com a boca fechada por fita.
  • Área marcada: quem constrói fica fora da linha de queda; ninguém sentado embaixo de torre alta.
  • Sem caixas de produtos de limpeza ou remédios com restos; lave e seque tudo antes.
  • Grampos e fitas metálicas retirados das caixas.
  • Supervisão próxima; torres acima da cabeça das crianças só com o adulto ao lado.

Davi: Antes de começar, a gente olha o chão e o espaço em volta. Depois é só brincar.

Momento em família

Toda casa tem caixa de sapato, pote e lata. Separe um canto, espalhe e deixe cair. Em três frases, por que isso é bom para a criança: ela aprende sobre tamanho, peso e equilíbrio com o corpo; treina as mãos para encaixar e alinhar; e descobre que cair faz parte e que dá para recomeçar.

Qual foi a torre mais alta da casa? Conte para a professora, com foto da torre, sem a criança.

De onde vem

Maira: Antes de existir bloco de montar, criança já empilhava pedra, lata e cuia. Minha avó fazia casa de sabugo de milho.

Empilhar e derrubar é uma das brincadeiras universais da pequena infância; Piaget a descreve como jogo de exercício, e Friedrich Froebel fez dos blocos de construção o centro de seus "dons" para o jardim de infância, no século XIX. No Brasil, a construção com caixas e sucata limpa é prática comum nas creches e dialoga com a proposta de materiais não estruturados, defendida por Kishimoto e presente nas DCNEI como direito de explorar.

Referências

  • BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2017.
  • KISHIMOTO, Tizuko Morchida (org.). Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. São Paulo: Cortez, 1996.
  • PIAGET, Jean. A formação do símbolo na criança. Rio de Janeiro: Zahar, 1975.
  • FOCHI, Paulo (org.). O brincar heurístico na creche. Porto Alegre: Paulo Fochi Estudos Pedagógicos, 2018.

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