Garrafas sensoriais

Também conhecida como: Garrafas da calma, Chocalhos de garrafa

Bebês Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações Traços, sons, cores e formas Corpo, gestos e movimentos

Um bebê de pano sentado no tapete sacode uma garrafa com água azul e glitter; outras garrafas coloridas estão ao redor; um pai deitado de lado observa; Bia aponta para uma garrafa.
Posição inicial. Ilustração; nenhuma criança real.

Resumo rápido

Faixa etária
Bebês
Participantes
1 a 4 bebês
Duração
10 a 20 minutos
Espaço
Tapete na sala ou sombra no pátio; funciona bem em qualquer lugar
Tipo
Sensorial / exploratória
Você vai precisar
  • 4 a 8 garrafas PET pequenas (300 a 500 ml), limpas, com rótulo retirado e tampa
  • Recheios: água com algumas gotas de corante alimentício; água com glitter e um pouco de óleo; arroz ou feijão; tampinhas; botões grandes; pedaços de fita colorida; pompons
  • Cola quente ou fita adesiva forte para lacrar as tampas

Garrafas pequenas lacradas com água colorida, grãos ou objetos que flutuam, para o bebê sacudir, rolar e observar.

Idade indicada. A partir dos 6 meses, quando o bebê já segura objetos com as duas mãos; até 1 ano e 11 meses, quando passa a rolar, empilhar e escolher as garrafas preferidas.

Vídeo de demonstração (30 a 40 segundos, com adultos) em produção.

Como brincar

  1. Prepare as garrafas em casa ou na escola, sem a criança por perto: encha até dois terços, feche bem e lacre a tampa com cola quente. Deixe secar e teste sacudindo com força.
  2. Varie os recheios: uma só com água colorida (silenciosa), uma com grãos (barulhenta), uma com objetos que afundam e flutuam, uma com glitter que desce devagar.
  3. Ofereça duas ou três garrafas de cada vez ao bebê sentado no tapete. Sente-se perto e espere.
  4. Deixe que sacuda, role, bata, leve à boca. Nomeie o que acontece quando ele olhar para você: "caiu devagar", "faz barulho".
  5. Troque as garrafas quando o interesse diminuir; guarde as outras para outro dia.
  6. Confira o lacre antes de cada uso. Garrafa com tampa frouxa sai da brincadeira na hora.

Bia: A de glitter com óleo é a mais lenta. Eu viro e fico olhando o brilho descer. Meu irmão também.

Variações

  • Garrafas de som: só grãos, em quantidades diferentes, para comparar barulhos.
  • Garrafas de peso: uma com água e uma vazia, para o bebê sentir a diferença.
  • Garrafas da luz: no pátio à sombra, contra o sol, as de água colorida fazem sombras coloridas no chão.
  • Boliche de bebê (1 ano e meio em diante): garrafas em pé para derrubar com uma bola macia.

Teo: E se a gente escondesse um brinquedinho dentro da garrafa de arroz? Vira, procura, acha.

Todo mundo brinca

Bia: Aqui todo mundo brinca. A brincadeira é que se adapta.

  • Bebê com baixa visão: garrafas sonoras e de alto contraste (água escura com objetos claros); o adulto descreve o que se move.
  • Bebê surdo: garrafas visuais, de glitter e de objetos que flutuam; coloque a mão dele sobre a garrafa para sentir a vibração dos grãos.
  • Bebê que ainda não senta: deitado de lado, com a garrafa ao alcance, ou no colo do adulto.
  • Bebê com hipotonia ou pouca força nas mãos: garrafas menores (de 200 ml) e mais leves.
  • Bebê com sensibilidade sensorial: comece pelas silenciosas; introduza a sonora em outro dia.

Na BNCC

Campos de experiência predominantes: Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações Traços, sons, cores e formas Corpo, gestos e movimentos

Objetivos de aprendizagem e desenvolvimento

Como ler o código: EI = Educação Infantil; 01, 02 ou 03 = grupo etário da BNCC; duas letras = campo de experiência; número final = ordem do objetivo.

  • EI01ET01

    Explorar e descobrir as propriedades de objetos e materiais (odor, cor, sabor, temperatura).

    Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações · BNCC: bebês (zero a 1 ano e 6 meses)
  • EI01ET02

    Explorar relações de causa e efeito (transbordar, tingir, misturar, mover e remover etc.) na interação com o mundo físico.

    Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações · BNCC: bebês (zero a 1 ano e 6 meses)
  • EI01TS01

    Explorar sons produzidos com o próprio corpo e com objetos do ambiente.

    Traços, sons, cores e formas · BNCC: bebês (zero a 1 ano e 6 meses)
  • EI01CG05

    Utilizar os movimentos de preensão, encaixe e lançamento, ampliando suas possibilidades de manuseio de diferentes materiais e objetos.

    Corpo, gestos e movimentos · BNCC: bebês (zero a 1 ano e 6 meses)

As faixas deste acervo seguem as turmas e as revistas da escola: Bebês, 2 anos e 3 anos. Na BNCC, bebês vão até 1 ano e 6 meses (EI01) e crianças bem pequenas de 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses (EI02); assim, a faixa Bebês do site abrange o fim do grupo EI02 e as faixas 2 anos e 3 anos pertencem ao mesmo grupo EI02. Os códigos de objetivos seguem sempre a BNCC.

Direitos de aprendizagem predominantes: Explorar, Brincar, Conhecer-se, Participar.

O que a criança desenvolve

  • Sensorial (visão, audição, peso, temperatura)
  • Cognitiva (causa e efeito, permanência do objeto)
  • Motora fina (pegar, sacudir, rolar, passar de mão)
  • Linguagem (nomear cores e sons)

Enunciados transcritos de memória a partir da BNCC (2017). Conferir cada código no documento oficial antes da banca.

Tecnologia desplugada

Conceitos de pensamento computacional que esta brincadeira exercita, sem nenhuma tela: Condicional (se… então…)Depuração (achar e corrigir o erro)

Sacudiu, fez barulho; parou, silenciou. Virou, o glitter desce. O bebê testa e repete: é a forma mais elementar de causa e efeito, a base da condicional "se faço isso, acontece aquilo". Quando a garrafa não faz o que ele esperava, tenta de outro jeito, o começo da depuração. Com bebês, a linguagem do adulto é só nomear o que aconteceu.

O que é tecnologia desplugada e por que ela está neste acervo

Mediação do professor

Como propor

Coloque as garrafas ao alcance e espere. Não demonstre o uso: o bebê descobre que sacudir faz barulho. Sua fala nomeia o efeito depois que ele acontece. Uma garrafa nova a cada semana mantém a proposta viva.

Quando entrar e quando sair

Entre só por segurança ou quando o bebê pedir com o olhar. Saia assim que ele voltar à exploração.

O que observar

  • Causa e efeito: repete a ação que gerou o som ou o movimento?
  • Preferência: escolhe a sonora ou a silenciosa? A colorida ou a transparente?
  • Motricidade: segura com uma ou duas mãos? Passa de uma mão para a outra? Rola e vai buscar?
  • Interação: oferece a garrafa ao adulto ou a outro bebê?

O que registrar

Anote qual garrafa cada bebê escolheu e por quanto tempo ficou com ela. Em uma turma de bebês, isso vira um mapa de preferências sensoriais.

Importante: cuidados

  • Tampa sempre lacrada com cola quente e testada; glitter, grãos e botões soltos são risco de engasgo.
  • Garrafas pequenas e sem pontas; nada de vidro.
  • Sem recheios que estraguem: nada de alimentos frescos; água com corante troca-se a cada duas semanas.
  • Inspecione antes de cada uso: rachaduras, vazamento ou tampa frouxa tiram a garrafa de circulação.
  • Supervisão constante; o bebê leva a garrafa à boca.

Davi: Antes de começar, a gente olha o chão e o espaço em volta. Depois é só brincar.

Momento em família

Uma garrafinha de água mineral com um punhado de arroz e a tampa bem colada já é uma brincadeira inteira. Em três frases, por que isso é bom para o bebê: ele descobre que a ação dele muda o mundo; treina pegar, segurar e passar de mão; e aprende a olhar com atenção para o que se move devagar.

Fizeram uma garrafa em casa? Conte para a professora qual recheio funcionou melhor.

De onde vem

Maira: Chocalho de cabaça com semente é dos povos indígenas e dos africanos. A garrafa é a mesma ideia com o que a gente tem hoje.

Chocalhos de cabaça, coco ou cesto com sementes estão entre os instrumentos mais antigos das culturas indígenas e afro-brasileiras, e o maracá segue presente em muitos povos. As garrafas sensoriais são a versão contemporânea e doméstica dessa ideia, popularizada em creches e em materiais de inspiração montessoriana a partir dos anos 2000, com destaque para as "garrafas da calma" de glitter em água.

Referências

  • BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2017.
  • GOLDSCHMIED, Elinor; JACKSON, Sonia. Educação de 0 a 3 anos: o atendimento em creche. Porto Alegre: Artmed, 2006.
  • BRITO, Teca Alencar de. Música na educação infantil: propostas para a formação integral da criança. São Paulo: Peirópolis, 2003.

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