Tapete de texturas

Também conhecida como: Caminho sensorial, Painel de texturas

Bebês Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações Corpo, gestos e movimentos O eu, o outro e o nós

Um bebê de pano deitado de bruços sobre um tapete de quadrados coloridos de texturas diferentes; uma mãe sentada ao lado toca o tapete junto; Maira observa.
Posição inicial. Ilustração; nenhuma criança real.

Resumo rápido

Faixa etária
Bebês
Participantes
1 a 3 bebês
Duração
10 a 20 minutos
Espaço
Canto tranquilo da sala, longe da passagem, com espaço para rolar
Tipo
Sensorial / exploratória
Você vai precisar
  • Base firme: cobertor dobrado, tapete de EVA ou colchonete
  • Quadrados de 20 a 30 cm de materiais variados: tecido felpudo, lã, seda ou cetim, bucha vegetal, plástico-bolha, grama sintética, papel pardo, lixa bem fina, EVA com relevo
  • Costura, fita dupla-face forte ou cola quente para fixar as texturas na base

Um tapete feito de retalhos com texturas diferentes para o bebê tocar, rolar e engatinhar, com o adulto por perto nomeando as sensações.

Idade indicada. Dos 4 meses, deitado de bruços sobre o tapete, até 1 ano e 11 meses, engatinhando e andando sobre ele. Para os que já andam, vale fazer o caminho descalço.

Vídeo de demonstração (30 a 40 segundos, com adultos) em produção.

Como brincar

  1. Monte o tapete com antecedência: fixe bem cada textura na base e puxe cada uma para conferir se nada solta. Alterne texturas macias e ásperas, lisas e com relevo.
  2. Estenda o tapete no chão e sente-se ao lado. Coloque o bebê deitado de bruços ou sentado, com as mãos e os pés tocando as texturas.
  3. Deixe que ele explore no próprio ritmo. Quando tocar algo, nomeie com calma: "macio", "áspero", "fresquinho".
  4. Mude a posição do bebê de tempos em tempos para que outras partes do corpo sintam o tapete: barriga, costas, pés descalços.
  5. Para os que engatinham ou andam, estenda o tapete como um caminho e fique na outra ponta chamando pelo nome.
  6. Encerre quando o interesse acabar. Lave as texturas de tecido com frequência e guarde o tapete enrolado.

Bia: Eu ajudei a fazer o tapete do meu irmão com retalho da costureira do bairro. O quadrado de bucha é o que ele mais gosta.

Variações

  • Caixa de texturas: os mesmos materiais colados dentro de uma caixa de sapato, para explorar com as mãos.
  • Tapete de pés: só para os que já andam, com texturas mais contrastantes (grama, pedrinhas lisas grandes dentro de um saco de tecido, esponja).
  • Tapete sonoro: alguns quadrados com papel celofane ou plástico que fazem barulho ao toque.
  • Em dupla de bebês: um tapete grande para dois, cada um de um lado, para se verem explorando.

Teo: E se cada semana entrasse uma textura nova e saísse uma velha? Aí o tapete nunca fica igual.

Todo mundo brinca

Davi: Aqui todo mundo brinca. A brincadeira é que se adapta.

  • Bebê que ainda não sustenta a cabeça: no colo do adulto, com as mãos e os pés levados até as texturas.
  • Bebê com baixa visão ou cegueira: texturas mais contrastantes e um quadrado sonoro; o adulto nomeia cada textura ao tocar.
  • Bebê com sensibilidade tátil: comece pelas texturas mais macias e por pouco tempo; nunca force o contato; respeite o afastamento.
  • Bebê com hipotonia ou prematuro: apoio de almofada em meia-lua sob o peito; sessões curtas e repetidas.
  • Bebê surdo: a nomeação vira gesto e expressão do rosto, com o adulto no campo de visão.

Na BNCC

Campos de experiência predominantes: Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações Corpo, gestos e movimentos O eu, o outro e o nós

Objetivos de aprendizagem e desenvolvimento

Como ler o código: EI = Educação Infantil; 01, 02 ou 03 = grupo etário da BNCC; duas letras = campo de experiência; número final = ordem do objetivo.

  • EI01ET01

    Explorar e descobrir as propriedades de objetos e materiais (odor, cor, sabor, temperatura).

    Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações · BNCC: bebês (zero a 1 ano e 6 meses)
  • EI01ET05

    Manipular materiais diversos e variados para comparar as diferenças e semelhanças entre eles.

    Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações · BNCC: bebês (zero a 1 ano e 6 meses)
  • EI01CG02

    Experimentar as possibilidades corporais nas brincadeiras e interações em ambientes acolhedores e desafiantes.

    Corpo, gestos e movimentos · BNCC: bebês (zero a 1 ano e 6 meses)
  • EI01EO05

    Reconhecer seu corpo e expressar suas sensações em momentos de alimentação, higiene, brincadeira e descanso.

    O eu, o outro e o nós · BNCC: bebês (zero a 1 ano e 6 meses)

As faixas deste acervo seguem as turmas e as revistas da escola: Bebês, 2 anos e 3 anos. Na BNCC, bebês vão até 1 ano e 6 meses (EI01) e crianças bem pequenas de 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses (EI02); assim, a faixa Bebês do site abrange o fim do grupo EI02 e as faixas 2 anos e 3 anos pertencem ao mesmo grupo EI02. Os códigos de objetivos seguem sempre a BNCC.

Direitos de aprendizagem predominantes: Explorar, Brincar, Conhecer-se, Conviver.

O que a criança desenvolve

  • Sensorial (tato, temperatura, textura)
  • Motora (rolar, apoiar, engatinhar, pisar)
  • Cognitiva (comparar, antecipar)
  • Emocional (segurança na presença do adulto)

Enunciados transcritos de memória a partir da BNCC (2017). Conferir cada código no documento oficial antes da banca.

Mediação do professor

Como propor

Ofereça o tapete como objeto, não como tarefa: estenda, sente-se e espere. O bebê escolhe por onde começar. Sua fala é curta e vem depois da ação dele, nomeando o que ele já está sentindo.

Quando entrar e quando sair

Entre para mudar a posição do bebê, para segurar a mão dele sobre uma textura nova se ele olhar para você pedindo, ou por segurança. Saia da intervenção assim que ele retomar a exploração sozinho.

O que observar

  • Preferências e recusas: que texturas procura, de quais se afasta?
  • Esquemas de ação: tateia com a palma, com os dedos, com a boca, com os pés?
  • Deslocamento: rola para alcançar uma textura? Engatinha de uma para outra?
  • Comunicação: olha para o adulto ao sentir algo novo? Vocaliza?

O que registrar

Anote por bebê as texturas exploradas e um episódio curto. Uma foto do tapete montado, sem o bebê, documenta a proposta.

Importante: cuidados

  • Nada que solte fiapos, contas ou pedaços; puxe cada textura antes de usar.
  • Sem lixa grossa nem materiais que arranhem; teste no seu próprio antebraço.
  • Atenção a alergias: lã, látex, fibras naturais.
  • Lave ou higienize as texturas com frequência; bebê leva tudo à boca.
  • Supervisão constante e próxima.

Davi: Antes de começar, a gente olha o chão e o espaço em volta. Depois é só brincar.

Momento em família

Em casa, uma toalha com retalhos presos por costura ou fita já serve, ou um caminho de panos diferentes pelo corredor. Sente perto e nomeie o que o bebê toca. Em três frases, por que isso é bom para o bebê: ele conhece o mundo pela pele; aprende a se mover para alcançar o que quer; e sente que você está ali, nomeando o que ele descobre.

Qual textura seu bebê mais gostou? Conte para a professora: ela pode entrar no tapete da turma.

De onde vem

Maira: Minha avó dizia que bebê aprende primeiro com as mãos e com a boca. O tapete é só um jeito de dar mais coisas para as mãos.

Painéis e tapetes de texturas são uma prática comum em creches de várias tradições pedagógicas e dialogam com a ideia de ambiente preparado de Maria Montessori e com os estudos de Emmi Pikler sobre a motricidade livre: o bebê que se move por conta própria, sobre uma superfície segura e interessante, com o adulto presente e sem pressa. No Brasil, a proposta aparece nos materiais de formação de berçário e nos estudos sobre bebês de Maria Carmen Barbosa e Paulo Fochi.

Referências

  • BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2017.
  • FALK, Judit (org.). Abordagem Pikler: educação infantil. São Paulo: Pioneira, 2016.
  • BARBOSA, Maria Carmen Silveira; FOCHI, Paulo Sergio. Os bebês interrogam o currículo: as múltiplas linguagens na creche. Educação, Santa Maria, v. 37, n. 1, 2012.
  • GOLDSCHMIED, Elinor; JACKSON, Sonia. Educação de 0 a 3 anos: o atendimento em creche. Porto Alegre: Artmed, 2006.

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