Tesouros da natureza

Também conhecida como: Caça aos tesouros, Coleta no pátio

2 anos 3 anos Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações Corpo, gestos e movimentos O eu, o outro e o nós

No pátio, Maira mostra uma folha grande; Davi agacha para pegar uma pedra; Teo guarda um graveto no cestinho pendurado na cadeira; Bia olha uma semente com a lupa.
Posição inicial. Ilustração; nenhuma criança real.

Resumo rápido

Faixa etária
2 anos; 3 anos
Participantes
4 a 15 crianças
Duração
30 a 45 minutos, com a volta e a separação
Espaço
Pátio com árvores, canteiro ou praça próxima; funciona também em um jardim pequeno
Tipo
Sensorial / exploratória
Você vai precisar
  • Um saquinho de pano ou cestinho por criança
  • Opcional: uma lupa grande, bandejas ou pratos para separar os achados na volta

Passeio pelo pátio ou pela praça com um saquinho na mão, recolhendo folhas, pedras, sementes e gravetos para olhar, comparar e separar depois.

Vídeo de demonstração (30 a 40 segundos, com adultos) em produção.

Como brincar

  1. Combine antes, em roda: cada criança leva um saquinho e recolhe só o que está no chão. Nada de arrancar da planta nem pegar bicho.
  2. Saiam juntos pelo pátio ou pela praça, devagar. O adulto acompanha e nomeia o que vê sem apontar o que pegar.
  3. Cada achado é mostrado para quem quiser ver: "olha a folha amarela", "essa pedra é lisa".
  4. Na volta, esvaziem os saquinhos sobre bandejas. Deixe as crianças separarem como quiserem: por cor, tamanho, tipo. Pergunte como separaram.
  5. Explore com a lupa, cheire as folhas, bata as pedras uma na outra para ouvir.
  6. Decidam juntos o destino: devolver ao canteiro, montar um painel ou guardar numa caixa de tesouros da turma.

Bia: Folha seca faz barulho quando amassa. Eu guardo as que fazem mais barulho num saquinho só delas.

Variações

  • Caça de uma cor só: hoje só coisas marrons; amanhã, verdes.
  • Tesouros do som: só o que faz barulho (folhas secas, sementes em vagem, pedrinhas).
  • Painel coletivo: colar os achados num cartaz grande com cola bastão, cada um no seu lugar.
  • Para a turma de 3 anos: contar quantos de cada tipo e marcar com risquinhos num papel.
  • Depois da chuva: procurar o que mudou (poças, folhas caídas, terra úmida, cheiro).

Teo: E se a gente levasse um pote com água e visse o que boia e o que afunda? A pedra afunda, a folha boia.

Todo mundo brinca

Bia: Aqui todo mundo brinca. A brincadeira é que se adapta.

  • Criança cadeirante: percurso pelos caminhos pavimentados do pátio; os colegas trazem achados de canteiros altos; cestinho pendurado na cadeira; pegador de madeira ajuda a alcançar o chão.
  • Baixa visão ou cegueira: a coleta é pelo tato e pelo cheiro; o adulto descreve cores; os achados vão para uma bandeja com divisórias.
  • Surdez: combine antes os gestos de "pode pegar", "não pode", "mostra"; a roda de separação é visual.
  • Autismo: itinerário mostrado antes com fotos do pátio; um saquinho só para a criança e um tempo de exploração sem pressa de voltar.
  • Alergia respiratória ou de pele: luvas finas e lavagem das mãos no fim; evite pólen em dias de vento.

Na BNCC

Campos de experiência predominantes: Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações Corpo, gestos e movimentos O eu, o outro e o nós

Objetivos de aprendizagem e desenvolvimento

Como ler o código: EI = Educação Infantil; 01, 02 ou 03 = grupo etário da BNCC; duas letras = campo de experiência; número final = ordem do objetivo.

  • EI02ET02

    Observar, relatar e descrever incidentes do cotidiano e fenômenos naturais (luz solar, vento, chuva etc.).

    Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações · BNCC: crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses)
  • EI02ET03

    Compartilhar, com outras crianças, situações de cuidado de plantas e animais nos espaços da instituição e fora dela.

    Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações · BNCC: crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses)
  • EI02ET05

    Classificar objetos, considerando determinado atributo (tamanho, peso, cor, forma etc.).

    Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações · BNCC: crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses)
  • EI02CG02

    Deslocar seu corpo no espaço, orientando-se por noções como em frente, atrás, no alto, embaixo, dentro, fora etc., ao se envolver em brincadeiras e atividades de diferentes naturezas.

    Corpo, gestos e movimentos · BNCC: crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses)

As faixas deste acervo seguem as turmas e as revistas da escola: Bebês, 2 anos e 3 anos. Na BNCC, bebês vão até 1 ano e 6 meses (EI01) e crianças bem pequenas de 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses (EI02); assim, a faixa Bebês do site abrange o fim do grupo EI02 e as faixas 2 anos e 3 anos pertencem ao mesmo grupo EI02. Os códigos de objetivos seguem sempre a BNCC.

Direitos de aprendizagem predominantes: Explorar, Conhecer-se, Conviver, Brincar.

O que a criança desenvolve

  • Cognitiva (observar, comparar, classificar)
  • Sensorial (texturas, cheiros, cores da natureza)
  • Motora (agachar, pegar, carregar, deslocar-se em terreno irregular)
  • Social (mostrar o achado, trocar, cuidar das plantas)

Enunciados transcritos de memória a partir da BNCC (2017). Conferir cada código no documento oficial antes da banca.

Tecnologia desplugada

Conceitos de pensamento computacional que esta brincadeira exercita, sem nenhuma tela: Reconhecimento de padrõesAbstraçãoDecomposição

Separar os achados por cor, tamanho ou tipo é reconhecer padrões e classificar: a mesma operação que um programa faz ao ordenar dados. Dizer "folha" para coisas de formas diferentes é abstração. Dividir o passeio em etapas (sair, coletar, voltar, separar) é decomposição. Com os pequenos, a linguagem é "igual, diferente, junto, separado".

O que é tecnologia desplugada e por que ela está neste acervo

Mediação do professor

Como propor

Comece pela roda de combinados e pelo saquinho na mão de cada um. No pátio, caminhe devagar e nomeie; não aponte o que pegar. Na separação, pergunte "como você separou?" e aceite qualquer critério, inclusive os que você não entende.

Quando entrar e quando sair

Entre quando alguém quiser arrancar da planta ou pegar um animal (lembre o combinado com calma), e na separação, para ampliar a conversa com perguntas abertas. Saia da coleta: deixe o tempo da criança governar.

O que observar

  • Critérios de separação: cor, tamanho, tipo, "meu e seu"? Muda de critério?
  • Atenção: observa detalhes com a lupa? Compara dois achados?
  • Vocabulário: nomeia folha, pedra, semente, graveto? Inventa nomes?
  • Cuidado com a natureza: respeita o combinado de não arrancar?

O que registrar

Fotografe as bandejas separadas e anote o critério dito pela criança. Uma caixa de tesouros da turma, com etiquetas feitas pelas crianças, é registro vivo.

Importante: cuidados

  • Só o que está no chão; nada de arrancar, nada de bicho, nada de cogumelo ou fruto desconhecido.
  • Combinado claro: pedra e semente não vão à boca; o adulto confere os saquinhos antes da separação.
  • Sementes pequenas e pedras que cabem na boca ficam com o adulto; para a turma de 2 anos, só achados grandes.
  • Protetor solar, água e sombra; evite horários de sol forte.
  • Lavar as mãos na volta; conferir carrapato e formiga em dias de grama alta.

Davi: Antes de começar, a gente olha o chão e o espaço em volta. Depois é só brincar.

Momento em família

Na ida para a escola ou na praça do bairro, um saquinho na mão e olhos no chão. Em casa, espalhem os achados na mesa e separem juntos. Em três frases, por que isso é bom para a criança: ela aprende a olhar com atenção para o mundo perto dela; compara, agrupa e nomeia; e começa a cuidar das plantas e dos bichos.

Que tesouro apareceu no caminho de casa? Conte para a professora: ele pode entrar na caixa da turma.

De onde vem

Maira: Semente de olho-de-cabra, pedrinha de rio, casca de jatobá. Na casa da minha avó, isso era brinquedo e também era remédio e comida.

Coletar e colecionar elementos da natureza é uma brincadeira antiga e universal; no Brasil, sementes como o olho-de-cabra e as cinco-marias de pedra fazem parte da cultura infantil de muitas regiões. Como proposta pedagógica, a coleta e a classificação de materiais naturais são valorizadas pela educação ao ar livre e pelos estudos do "território do brincar" de Renata Meirelles, e cabem no campo de experiência "Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações" da BNCC.

Referências

  • BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2017.
  • MEIRELLES, Renata. Território do brincar: diálogo com escolas. São Paulo: Instituto Alana, 2015.
  • TIRIBA, Léa. Educação infantil como direito e alegria: em busca de pedagogias ecológicas, populares e libertárias. São Paulo: Paz e Terra, 2018.

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