Saco de histórias
Também conhecida como: Sacola mágica, História de objetos
3 anos 2 anos Escuta, fala, pensamento e imaginação O eu, o outro e o nós Traços, sons, cores e formas
Resumo rápido
- Faixa etária
- 3 anos; 2 anos
- Participantes
- 4 a 12 crianças
- Duração
- 15 a 25 minutos
- Espaço
- Roda no tapete, com as crianças vendo o saco e umas às outras
- Tipo
- Faz de conta; Tradicional / popular
- Você vai precisar
-
- Um saco de pano opaco com boca larga (fronha ou sacola de tecido)
- De 5 a 8 objetos variados: um bichinho de pelúcia, uma colher de pau, uma chave velha, uma pedra, uma concha, um chapéu, um boneco, uma caixinha
- Opcional: um tapete ou almofadas para a roda
Um saco de pano com objetos escondidos. A cada objeto tirado, a história ganha um personagem ou uma reviravolta, contada pelo adulto e pelas crianças.
Vídeo de demonstração (30 a 40 segundos, com adultos) em produção.
Como brincar
- Prepare o saco com 5 a 8 objetos variados, sem que as crianças vejam. Sente-se na roda com o saco no colo.
- Comece a história com uma fórmula fixa: "Era uma vez... e o que será que tem aqui dentro?" Tire o primeiro objeto devagar.
- O objeto vira personagem ou lugar: a colher é uma menina, a pedra é uma montanha. Pergunte às crianças quem é e o que acontece.
- A cada objeto novo, a história continua: convide uma criança a tirar o próximo e a dizer o que ele faz na história.
- Repita o que as crianças disseram, dando forma de narrativa ("então a colher subiu a montanha e encontrou...").
- Termine com uma fórmula fixa ("e entrou por uma porta, saiu por outra...") e deixe o saco disponível para recontos livres.
Bia: Eu coloco um objeto estranho no meio, tipo uma chave. Ninguém sabe o que ela abre, e a história fica boa.
Variações
- Saco de uma história conhecida: objetos dos Três Porquinhos ou da Chapeuzinho, para recontar.
- Saco das famílias: cada criança traz de casa um objeto para entrar na história da semana.
- Para a turma de 2 anos: 3 objetos só, história curta e muito gesto; o adulto conta, as crianças tiram.
- Saco adivinha: antes de tirar, a criança apalpa e tenta adivinhar o que é.
- História desenhada: depois da roda, desenhar o personagem preferido.
Teo: E se a gente tirasse dois objetos de uma vez? Aí os dois têm que se encontrar na história.
Todo mundo brinca
Davi: Aqui todo mundo brinca. A brincadeira é que se adapta.
- Criança surda ou com deficiência auditiva: objetos concretos já são o apoio visual; conte com gestos amplos, expressão facial e, se houver, sinais de Libras para os personagens.
- Baixa visão ou cegueira: a criança apalpa cada objeto antes de ele entrar na história; objetos com texturas e sons diferentes.
- Autismo: mostre a sequência da roda antes (saco, objeto, história, fim); uma criança pode participar só tirando o objeto, sem precisar falar.
- Criança que ainda fala pouco: aponta, faz o gesto do personagem ou escolhe entre duas opções que o adulto oferece.
- Criança cadeirante: a roda no chão inclui a cadeira; o saco passa pelo colo de todos.
Na BNCC
Campos de experiência predominantes: Escuta, fala, pensamento e imaginação O eu, o outro e o nós Traços, sons, cores e formas
Objetivos de aprendizagem e desenvolvimento
Como ler o código: EI = Educação Infantil; 01, 02 ou 03 = grupo etário da BNCC; duas letras = campo de experiência; número final = ordem do objetivo.
-
EI02EF03Demonstrar interesse e atenção ao ouvir a leitura de histórias e outros textos, diferenciando escrita de ilustrações, e acompanhando, com orientação do adulto-leitor, a direção da leitura (de cima para baixo, da esquerda para a direita).
Escuta, fala, pensamento e imaginação · BNCC: crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) -
EI02EF04Formular e responder perguntas sobre fatos da história narrada, identificando cenários, personagens e principais acontecimentos.
Escuta, fala, pensamento e imaginação · BNCC: crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) -
EI02EF06Criar e contar histórias oralmente, com base em imagens ou temas sugeridos.
Escuta, fala, pensamento e imaginação · BNCC: crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) -
EI02EO04Comunicar-se com os colegas e os adultos, buscando compreendê-los e fazendo-se compreender.
O eu, o outro e o nós · BNCC: crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses)
As faixas deste acervo seguem as turmas e as revistas da escola: Bebês, 2 anos e 3 anos. Na BNCC, bebês vão até 1 ano e 6 meses (EI01) e crianças bem pequenas de 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses (EI02); assim, a faixa Bebês do site abrange o fim do grupo EI02 e as faixas 2 anos e 3 anos pertencem ao mesmo grupo EI02. Os códigos de objetivos seguem sempre a BNCC.
Direitos de aprendizagem predominantes: Expressar, Participar, Conviver, Brincar.
O que a criança desenvolve
- Linguagem (narrar, nomear, perguntar e responder)
- Cognitiva (imaginação, sequência, memória)
- Social (esperar a vez, ouvir o outro)
- Emocional (lidar com o inesperado e com o medo do "vilão")
Enunciados transcritos de memória a partir da BNCC (2017). Conferir cada código no documento oficial antes da banca.
Tecnologia desplugada
Conceitos de pensamento computacional que esta brincadeira exercita, sem nenhuma tela: Algoritmo e sequênciaAbstraçãoCondicional (se… então…)
Toda história é uma sequência: começo, meio e fim, um passo depois do outro, que é um algoritmo. O objeto que vira personagem (a colher que é uma menina) é abstração: uma coisa representa outra. E a história muda conforme o objeto que sai do saco: "se sair a pedra, então aparece uma montanha", uma condicional. Com os pequenos, a linguagem é "primeiro, depois, se, então".
O que é tecnologia desplugada e por que ela está neste acervo
Mediação do professor
Como propor
Use sempre a mesma fórmula de abertura e de encerramento; a repetição dá segurança para o imprevisto do meio. Tire o primeiro objeto você; depois, passe o saco. Transforme as falas das crianças em narrativa sem corrigir.
Quando entrar e quando sair
Entre para dar forma às ideias (ligar um objeto ao outro), para distribuir a vez de tirar o objeto e para acolher quem se assusta com o "vilão" ("é um lobo de brincadeira; o que a gente faz com ele?"). Saia quando as crianças sustentarem a história sozinhas.
O que observar
- Narrativa: liga o objeto ao que veio antes? Propõe acontecimentos?
- Simbolização: aceita que a colher é uma menina? Propõe outro significado?
- Escuta e vez: espera? Interrompe? Repete a fala do colega?
- Vocabulário: usa palavras novas da história em outros momentos?
O que registrar
Grave em áudio ou anote a história de cada roda; transcreva um trecho com os nomes das crianças (ou iniciais). Ao longo do ano, as histórias ficam mais longas e articuladas, e isso é documentação de linguagem.
Importante: cuidados
- Objetos sem pontas, sem peças que soltam e, para a turma de 2 anos, maiores que a boca.
- Nada de objetos cortantes ou de vidro, mesmo que a história "precise" de uma faca.
- Roda com espaço para quem quiser sair e voltar sem passar por cima dos colegas.
- Histórias com medo têm final seguro: o lobo vai embora, o monstro vira amigo.
- Lave os objetos que forem à boca.
Davi: Antes de começar, a gente olha o chão e o espaço em volta. Depois é só brincar.
Momento em família
Uma fronha e cinco coisas da gaveta bastam. Tire uma, invente, deixe a criança tirar a próxima. Em três frases, por que isso é bom para a criança: ela aprende a contar uma história com começo, meio e fim; usa a imaginação para transformar objetos em personagens; e treina esperar a vez e ouvir.
Que história nasceu em casa? Conte para a professora, ou mande um objeto para o saco da turma.
De onde vem
Maira: Contar história com objeto é coisa de contador de feira e de avó. O saco só esconde a surpresa.
Contar histórias com objetos é uma técnica antiga de contadores populares e de griôs de várias culturas africanas; no Brasil, o saco ou a mala de histórias é recurso comum de contadores e de professoras de Educação Infantil, difundido por programas de leitura como os do PNBE e por autores como Fanny Abramovich e Regina Machado. A proposta se apoia em Vygotsky: o objeto que "vira" outra coisa é a porta de entrada do jogo simbólico e da imaginação criadora.
Referências
- BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2017.
- ABRAMOVICH, Fanny. Literatura infantil: gostosuras e bobices. São Paulo: Scipione, 1989.
- MACHADO, Regina. Acordais: fundamentos teórico-poéticos da arte de contar histórias. São Paulo: DCL, 2004.
- VIGOTSKI, Lev S. Imaginação e criação na infância. São Paulo: Ática, 2009.
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