Mercadinho de faz de conta

Também conhecida como: Vendinha, Feirinha, Casinha

3 anos O eu, o outro e o nós Escuta, fala, pensamento e imaginação Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações

Teo atrás do balcão do mercadinho, de avental, com uma caixa registradora de papelão; Bia pesa frutas de brinquedo numa balança; Maira e Davi na fila com cestinhas cheias de embalagens.
Posição inicial. Ilustração; nenhuma criança real.

Resumo rápido

Faixa etária
3 anos
Participantes
3 a 8 crianças por vez
Duração
30 a 45 minutos, com o canto montado por várias semanas
Espaço
Canto fixo da sala, com prateleira baixa e espaço para a fila do caixa
Tipo
Faz de conta; Com regras
Você vai precisar
  • Embalagens vazias e limpas: caixas de leite e de cereal, potes de iogurte, sacos de pão, frutas e legumes de brinquedo ou de papel amassado
  • Cestinhas ou sacolas de pano, uma mesa baixa como balcão, uma caixa de sapato como caixa registradora
  • Dinheiro de papel feito pelas crianças, moedas de tampinha, uma balança de brinquedo ou de dois pratos improvisada
  • Opcional: aventais, crachás com desenho, cartazes de preço feitos pelas crianças

Um canto da sala vira mercado, com embalagens vazias, cestinhas, balança de brinquedo e dinheiro de papel. As crianças compram, vendem, pesam e conversam.

Vídeo de demonstração (30 a 40 segundos, com adultos) em produção.

Como brincar

  1. Durante uma ou duas semanas, peça às famílias embalagens vazias e limpas. Lave, seque e feche com fita.
  2. Monte o canto com as crianças: prateleira baixa com os produtos, balcão, caixa, cestinhas. Decidam juntos onde fica cada coisa.
  3. Façam o dinheiro e os cartazes de preço: rabiscos e números espontâneos valem. Pergunte quanto custa cada coisa e aceite a resposta.
  4. Combinem os papéis do dia: quem vende, quem compra, quem pesa, quem organiza a prateleira. Os papéis trocam a cada rodada.
  5. Deixe a brincadeira acontecer: compras, filas, trocos, conversas. Entre como cliente de vez em quando, pedindo algo difícil ("tem três maçãs?").
  6. Encerre com a arrumação do mercado para o dia seguinte; o canto fica montado por semanas e muda com as ideias da turma.

Bia: Eu faço o cartaz de preço com número e desenho da fruta. Aí quem não lê número lê a fruta.

Variações

  • Feira de frutas: só frutas e legumes de brinquedo, com barraca e balança.
  • Padaria ou restaurante: com massinha como comida e cardápio desenhado.
  • Mercado da história: vender os personagens e objetos do saco de histórias.
  • Troca sem dinheiro: cada produto vale uma tampinha; conta-se para pagar.
  • Para a turma de 2 anos: casinha com panelinhas e bonecos, sem caixa nem preço; o faz de conta é o cuidado.

Teo: E se o mercado fechasse por falta de maçã? Aí alguém tem que ir plantar. Vira outra brincadeira.

Todo mundo brinca

Davi: Aqui todo mundo brinca. A brincadeira é que se adapta.

  • Criança cadeirante: balcão e prateleiras na altura da cadeira; corredor livre entre a fila e a prateleira; ela pode ser a caixa, a vendedora ou a cliente, como todos.
  • Baixa visão ou cegueira: produtos reais ou de texturas diferentes, preços em relevo ou em cores contrastantes; a balança de dois pratos é tátil.
  • Surdez ou deficiência auditiva: cartazes com desenho, gesto combinado para "quanto custa?" e "obrigado"; a conversa no mercado pode ser toda em gestos.
  • Autismo: um papel definido e previsível (organizar a prateleira, por exemplo) e a fila marcada no chão; a criança escolhe quando quer trocar de papel.
  • Criança que fala pouco: compra apontando e paga contando as tampinhas; o vendedor nomeia o que ela escolheu.

Na BNCC

Campos de experiência predominantes: O eu, o outro e o nós Escuta, fala, pensamento e imaginação Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações

Objetivos de aprendizagem e desenvolvimento

Como ler o código: EI = Educação Infantil; 01, 02 ou 03 = grupo etário da BNCC; duas letras = campo de experiência; número final = ordem do objetivo.

  • EI02EO04

    Comunicar-se com os colegas e os adultos, buscando compreendê-los e fazendo-se compreender.

    O eu, o outro e o nós · BNCC: crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses)
  • EI02EO06

    Respeitar regras básicas de convívio social nas interações e brincadeiras.

    O eu, o outro e o nós · BNCC: crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses)
  • EI02EF01

    Dialogar com crianças e adultos, expressando seus desejos, necessidades, sentimentos e opiniões.

    Escuta, fala, pensamento e imaginação · BNCC: crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses)
  • EI02ET08

    Registrar com números a quantidade de crianças (meninas e meninos, presentes e ausentes) e a quantidade de objetos da mesma natureza (bonecas, bolas, livros etc.).

    Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações · BNCC: crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses)

As faixas deste acervo seguem as turmas e as revistas da escola: Bebês, 2 anos e 3 anos. Na BNCC, bebês vão até 1 ano e 6 meses (EI01) e crianças bem pequenas de 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses (EI02); assim, a faixa Bebês do site abrange o fim do grupo EI02 e as faixas 2 anos e 3 anos pertencem ao mesmo grupo EI02. Os códigos de objetivos seguem sempre a BNCC.

Direitos de aprendizagem predominantes: Brincar, Conviver, Expressar, Participar.

O que a criança desenvolve

  • Social (papéis, regras combinadas, espera na fila)
  • Linguagem (diálogo, nomes dos produtos, cartazes)
  • Cognitiva (contar, pesar, comparar, trocar)
  • Emocional (experimentar ser o adulto, negociar)

Enunciados transcritos de memória a partir da BNCC (2017). Conferir cada código no documento oficial antes da banca.

Tecnologia desplugada

Conceitos de pensamento computacional que esta brincadeira exercita, sem nenhuma tela: Algoritmo e sequênciaCondicional (se… então…)Abstração

Comprar no mercadinho é um algoritmo: pegar a cesta, escolher, ir ao caixa, pagar, levar. "Se não tem dinheiro suficiente, então devolve um produto" é uma condicional vivida. O dinheiro de papel que vale maçã é abstração: um símbolo que representa valor. Com os pequenos, a linguagem é "primeiro, depois, se não der, então".

O que é tecnologia desplugada e por que ela está neste acervo

Mediação do professor

Como propor

Monte o canto com as crianças e deixe que definam preços e regras; o adulto registra. Entre na brincadeira como cliente para enriquecer o diálogo (pedir algo que não tem, pedir troco, perguntar o peso) e saia para observar.

Quando entrar e quando sair

Entre quando a fila virar disputa (ajude a marcar a vez), quando um papel ficar sempre com a mesma criança (proponha o rodízio) ou para alimentar a história ("chegou mercadoria nova"). Saia assim que o enredo seguir sozinho.

O que observar

  • Papéis: assume e sustenta um papel? Troca? Negocia quem é quem?
  • Linguagem: usa fórmulas sociais ("bom dia", "quanto custa?")? Nomeia produtos?
  • Quantidades: conta produtos e tampinhas? Compara "mais caro" e "mais barato"? Registra com risquinhos?
  • Regras: respeita a fila e a vez? Propõe regra nova?

O que registrar

Guarde os cartazes de preço e o dinheiro feito pelas crianças, com data: são registros de escrita e número espontâneos. Anote diálogos ouvidos no mercado.

Importante: cuidados

  • Embalagens limpas, secas e fechadas; nada de produtos de limpeza, remédios ou vidro.
  • Tampinhas-moeda só para a turma de 3 anos e com supervisão; nada que caiba na boca para os menores.
  • Prateleira baixa e firme, presa à parede se for alta.
  • Sacolas de pano, nunca sacos plásticos.
  • Troque embalagens amassadas ou com cheiro.

Davi: Antes de começar, a gente olha o chão e o espaço em volta. Depois é só brincar.

Momento em família

Em casa, a despensa vira mercado: a criança vende, você compra e pede troco. Em três frases, por que isso é bom para a criança: ela conversa e aprende as palavras do dia a dia; conta, compara e começa a entender número e troca; e experimenta papéis de adulto num lugar seguro.

O que vendeu melhor no mercado de casa? Conte para a professora; o produto pode entrar no mercadinho da turma.

De onde vem

Maira: Brincar de vender é brincar de feira. Na feira da minha cidade, criança ajuda a avó a vender e ninguém chama de brincadeira.

Brincar de casinha, de vendinha e de feira é uma das formas mais universais do faz de conta: a criança reproduz e reinventa o mundo dos adultos. Vygotsky e Elkonin descrevem o jogo de papéis como a atividade central da infância pré-escolar, onde a criança se submete a regras que ela mesma cria. No Brasil, a vendinha com embalagens vazias é prática consolidada nas salas de Educação Infantil e dialoga com os estudos de Kishimoto sobre o jogo simbólico e com o direito de participar previsto na BNCC.

Referências

  • BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2017.
  • VIGOTSKI, Lev S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
  • ELKONIN, Daniil. Psicologia do jogo. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
  • KISHIMOTO, Tizuko Morchida (org.). Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. São Paulo: Cortez, 1996.

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